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terça-feira, 27 de agosto de 2013

Estilhaço

Aquela noite foi arrancada da minha alma como pedra estilhaçando o vidro. Escorreram dos meus olhos o céu que chorava as estrelas para mim. Uma noite enterrada no tempo e viva nos meus pensamentos, bailando pelas minhas emoções e beijando a minha alma. Quando você adormece em um campo ameno e acorda em cinzas. Há pesadelos que não tem fim, que continuam se repetindo continuamente dentro de você. Na infância, costumava me gabar por nunca ter pesadelos ou nunca ter precisado de ursinhos apelidados para dormir. Quisera eu ter precisado de tudo isto e não ter de conviver com meus próprios pesadelos, nos quais eu mesma inventei e os desdobrei da realidade. Feliz daquele que tem um ursinho em sua cama que o protege de tudo, feliz daquele que tem braços pra lhe acolher. Feliz daquele que tem medo do que vem de fora... Doí precisar se desfazer da própria carne, se desfazer dos seus pedaços. Em meio a um grande monturo, nem sei mais o que sou eu. É difícil discernir o que eu sou e o que eu fui... é como milhões de estilhaços de espelho refletindo uns aos outros e você precisa encontrar os que refletem você.
 Eu tenho deitado a cabeça no seu peito e esperando que você diga que não há nada de errado, mas no fundo todo mundo sabe contra o que tem que lutar, não há luta que se evite até o final. Assim como não há mal que se vá sozinho. Só tento me salvar destes pedaços, e antes, espero te salvar de mim assim como se salva de você mesmo.

Beijos,  D.