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quarta-feira, 10 de julho de 2013

O compasso da chuva


Desço aos pulinhos e com os pés saltitantes pruma estrada que me levaria ao meu amor. Com pouco espaço para andar pela calçada e um cheiro de terra molhada. Com os fones de ouvido, meus pés me carregavam quase dançando pelo asfalto daquela rua comprida. Aquela dita chuva molha bobo, das gotas que vão molhando sem que você perceba, ensopavam aos poucos o meu cabelo e ao invés de correr, me permitia molhar-se. Todas as cores pareciam saltar e dançar comigo. O ventinho me envolvia, lágrimas do céu me lavavam e eu me sentia vazia o suficiente para absorver toda a felicidade das árvores, da terra e do orvalho. É como se eu soubesse de cor a melodia daquela estradinha vazia. Haviam flores nas quais eu nunca havia visto, ou simplesmente nunca havia reparado... Pobres belezas que posam lindas ao sol e são ignoradas por nós humanos dos olhos brilhantes. Seus traços eram tão delicados e deslizantes que me dera vontade de escorrer um lápis e pinta-las tais como são.
  Andei incessavelmente quase dançando sozinha pelas ruazinhas naquele domingo de tarde... E que ruazinhas! Seu tom caseiro e aconchegante me dava um leve sabor de canela na boca... Coloridinhas e floridas! Acima daquela lomba que quase me fazia andar para cima, estava ele em sua casa, dormindo no quentinho e no seco, eu me aproximava fria e molhada com uma saudade nos braços. Sorria de leve sem saber porque... Simplesmente por vontade de pular e rodar, eram ruazinhas silenciosas e meigas de um jeito que me deixava mais em casa que em minha própria casa. Me arrastei quase engatinhando e cheguei ao topo, no exato momento que tocava nos meus fones uma musica libertadora e dramática, o que me fazia sentir num filme qualquer enfrentando algum tipo de perigo e vencendo! Isto me fez rir! Me fez rir simplesmente por rir, de mim, da música e da lomba! Como uma criança descobrindo a cidade, descobrindo a arte de rir de si e passar pela vida com humor. Como se jamais tivesse experimentado caminhar por aí.
 Rindo e sorrindo bati na porta e entrei. Ele estava lá, lindo e com uma carinha de sono que eu sempre amei, preocupado colocou uma toalha nos meus cabelos e me secou. Eu apenas ri mentalmente da sua cara de zangado por eu ter subido sozinha e aos pulos ao invés de pedir-lhe que me buscasse de carro. Talvez não entendam, mas me deixem ser louca sozinha! Me abraçou ainda brabo e me secou com um amor quase paterno, quase em entender a minha animação.

Não tenham vergonha de se atirar nos detalhes e dançar por aí!

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