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sexta-feira, 24 de maio de 2013

Está chovendo


Está chovendo dentro de mim. Eu estou ensopada de mim mesma. Está chovendo, está chovendo dentro de mim. Neste chuvisco de noite, tudo congela e eu me perco de mim mesma. Eu não consigo mais ver as estrelas e a neblina está me cegando nesta cidade. A nevoa pesada está preenchendo meus poros de angustia, não há espaço dentro de mim. O meu sangue está se agitando violentamente. Eu estou entupida, entupida, entupida de mim. Eu estou me afogando nos meus pensamentos. Eu estou mergulhando por um mar inteiro de palavras mal ditas e de beijos mal dados. Há um piano distante brincando com os meus movimentos.. brincando com as notas dentre as minhas lágrimas. As palavras não tem sentido pra mim, e mesmo assim elas me quebram sem querer. Eu estou perdendo o meu corpo sem perceber. É difícil de mais partir desta nevoa, é difícil de mais chegar a beira. A minha força é um cristal fosco que se acende de muito em muito tempo. Ainda há tempo, eu preciso deixar a garoa me levar para o mais longe possível, deixar a nevoa me arrastar... depois da chuva sempre resta o chão molhado e o ar úmido, ainda há esperanças para um novo recomeço. É hora de se religar, é hora de se remodelar, de se refazer. Preciso me desfazer desta camada de mentiras. Preciso me purificar... e deixar o pó pra trás....