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terça-feira, 27 de agosto de 2013

Estilhaço

Aquela noite foi arrancada da minha alma como pedra estilhaçando o vidro. Escorreram dos meus olhos o céu que chorava as estrelas para mim. Uma noite enterrada no tempo e viva nos meus pensamentos, bailando pelas minhas emoções e beijando a minha alma. Quando você adormece em um campo ameno e acorda em cinzas. Há pesadelos que não tem fim, que continuam se repetindo continuamente dentro de você. Na infância, costumava me gabar por nunca ter pesadelos ou nunca ter precisado de ursinhos apelidados para dormir. Quisera eu ter precisado de tudo isto e não ter de conviver com meus próprios pesadelos, nos quais eu mesma inventei e os desdobrei da realidade. Feliz daquele que tem um ursinho em sua cama que o protege de tudo, feliz daquele que tem braços pra lhe acolher. Feliz daquele que tem medo do que vem de fora... Doí precisar se desfazer da própria carne, se desfazer dos seus pedaços. Em meio a um grande monturo, nem sei mais o que sou eu. É difícil discernir o que eu sou e o que eu fui... é como milhões de estilhaços de espelho refletindo uns aos outros e você precisa encontrar os que refletem você.
 Eu tenho deitado a cabeça no seu peito e esperando que você diga que não há nada de errado, mas no fundo todo mundo sabe contra o que tem que lutar, não há luta que se evite até o final. Assim como não há mal que se vá sozinho. Só tento me salvar destes pedaços, e antes, espero te salvar de mim assim como se salva de você mesmo.

Beijos,  D.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Duas mãos.

Você desapareceu pela noite como de costume. Você voltou a vagar como um refugiado aventureiro por aquele mundinho que era só nosso, e hoje, é apenas uma pincelada negra e borrada em um quadro branco. Pela primeira vez, sentada nessas estradas á espera do que não volta, eu encontrei comigo um coração. Quando duas lágrimas se mesclam numa mesma dor, não á mais o que se esperar. Duas lágrimas que vagaram congeladas por aí por tantos anos, e agora juntas, conseguem se espelhar e secá-las para sempre. É hora  de darmos as mãos e esperar por um amanhecer nessa paisagem esfumaçada e moribunda. Duas máscaras quebradas que foram arrastadas para perto uma da outra pelo vento. Unidas contra um mesmo viajante que aparece e desaparece como sombra viva. Quando tudo se torna tão contorcido e abstrato que parece que seu coração vai explodir. Aonde você estava em todo aquele momento que eu corria assustada e sozinha? E pensar que você me procurou todo este tempo...

Beijos, D.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

O compasso da chuva


Desço aos pulinhos e com os pés saltitantes pruma estrada que me levaria ao meu amor. Com pouco espaço para andar pela calçada e um cheiro de terra molhada. Com os fones de ouvido, meus pés me carregavam quase dançando pelo asfalto daquela rua comprida. Aquela dita chuva molha bobo, das gotas que vão molhando sem que você perceba, ensopavam aos poucos o meu cabelo e ao invés de correr, me permitia molhar-se. Todas as cores pareciam saltar e dançar comigo. O ventinho me envolvia, lágrimas do céu me lavavam e eu me sentia vazia o suficiente para absorver toda a felicidade das árvores, da terra e do orvalho. É como se eu soubesse de cor a melodia daquela estradinha vazia. Haviam flores nas quais eu nunca havia visto, ou simplesmente nunca havia reparado... Pobres belezas que posam lindas ao sol e são ignoradas por nós humanos dos olhos brilhantes. Seus traços eram tão delicados e deslizantes que me dera vontade de escorrer um lápis e pinta-las tais como são.
  Andei incessavelmente quase dançando sozinha pelas ruazinhas naquele domingo de tarde... E que ruazinhas! Seu tom caseiro e aconchegante me dava um leve sabor de canela na boca... Coloridinhas e floridas! Acima daquela lomba que quase me fazia andar para cima, estava ele em sua casa, dormindo no quentinho e no seco, eu me aproximava fria e molhada com uma saudade nos braços. Sorria de leve sem saber porque... Simplesmente por vontade de pular e rodar, eram ruazinhas silenciosas e meigas de um jeito que me deixava mais em casa que em minha própria casa. Me arrastei quase engatinhando e cheguei ao topo, no exato momento que tocava nos meus fones uma musica libertadora e dramática, o que me fazia sentir num filme qualquer enfrentando algum tipo de perigo e vencendo! Isto me fez rir! Me fez rir simplesmente por rir, de mim, da música e da lomba! Como uma criança descobrindo a cidade, descobrindo a arte de rir de si e passar pela vida com humor. Como se jamais tivesse experimentado caminhar por aí.
 Rindo e sorrindo bati na porta e entrei. Ele estava lá, lindo e com uma carinha de sono que eu sempre amei, preocupado colocou uma toalha nos meus cabelos e me secou. Eu apenas ri mentalmente da sua cara de zangado por eu ter subido sozinha e aos pulos ao invés de pedir-lhe que me buscasse de carro. Talvez não entendam, mas me deixem ser louca sozinha! Me abraçou ainda brabo e me secou com um amor quase paterno, quase em entender a minha animação.

Não tenham vergonha de se atirar nos detalhes e dançar por aí!

segunda-feira, 8 de julho de 2013

O concerto



Se estendia nas notas o poder de um silêncio profundo. Em cada zumbir melódico ele se expandia para fora e para dentro de si. O maestro deslizava o som com o corpo e o encenava ordenando a orquestra. A música era varrida por todo o salão como ondas do mar se quebrando em todos os ouvidos e espumando pela mente. Ele, mais do que ninguém, sentia-se carregado por elas derretendo-se entre a junção dos instrumentos. Sua alma era sacudida e desafiada a cada tom que se erguia elevadamente. Sentia vontade de mergulhar cada vez mais por dentre aquela música, de dançar deliberadamente e se expressar de tal forma que pudesse se unir ao mundo.
  Era algo totalmente novo para ele os olhares libertadores e amorosos de todos os músicos, era totalmente novo para ele uma arte tão forte e tão inspiradora. Não era como nas sarjetas, não era como num transporte público qualquer aonde as pessoas parecem ser feitas de um diamante impenetrável, superiores e intocáveis. Ou pelo menos eram assim que se transpareciam. Os músicos deixavam sua alma bailar alheiamente com todos, e sentiam amor por isso. Não sentiam medo de se expressar, não sentiam orgulho em emprestar emoção.
  Ele sequer tinha dinheiro suficiente para pagar o ingresso para aquele espetáculo. Ele sequer tinha roupas apropriadas para a ocasião, mas carregava no coração mais paixão que qualquer outra pessoa. Haviam velhos enrugados com suas senhoras cheias de jóias, tais quais o olhavam feio por suas vestes atrofiadas e cabelo sujo. Haviam também homens maduros que se auto prestigiavam por frequentar um evento chique. E como ele, haviam aquelas pessoas apaixonadas pela música, e delas, surgia no ar uma corrente de energia que ele mal pudia explicar, mal podia ouvir seus próprios pensamentos tamanha a emoção que o transbordava.
  Ele saiu da onde sequer podia ter entrado, mas saiu num estado que nenhuma palavra poderia explicar.

Beijos, D.

sábado, 6 de julho de 2013

Libertação

Permitiu-me respirar sem o vão que atormentava-me, de todos os olhares, foi o teu que me encantou.

Beijos, D.

Um final de tempestade


Você tem sido aquela lágrima perdida dentro de mim. Você tem sido aquele amor tropeçado que se atrofia sorrateiramente em algum canto qualquer nos meus sonhos. Tem sido aquele figurante que passa de vez em quando para um olhar gélido e se vai... Nunca se sabe quando você vai voltar, quando as tuas palavras vão me acalmar ou trazer mais confusão. Independente do tipo de olhar, sempre me trouxe paz. Não é como se você desaparecesse... é como se você se tornasse um fantasma vagando por perto de mim. Como se eu não pudesse te tocar, mas você sim. Pudesse me acariciar enquanto eu durmo, pudesse secar algumas lágrimas sem que eu percebesse. Apenas passa... Como um eclipse que muda sua noite e acaba. O teu toque tem estado nas minhas memórias e a tua voz no meu coração.
 Eu acho que todo mundo tem aquele amor que não acaba... e não começa. Tão surreal quanto uma ilusão. Aquele amor que vive com você esteja com quem estiver. No entardecer é sempre com você que eu sento para contar como foi meu dia. Os meus sorrisos e tristezas sempre acabam com você, seja quem for o causador. Nós talvez nunca possamos nos deitar e nos abraçar finalmente juntos, talvez nós nunca nos toquemos de novo, talvez nós nunca possamos dar as mãos e em paz, descansar. Por que nós nos cruzamos e apenas isso.
 Pra sempre.
 Procuramos um pouco um do outro em cada pessoa que passa por nossas vidas, mas apenas os nossos olhares continuam sendo sinceros.
 Ainda espero pelo dia que aliviada, saberei que poderei ficar... Te ver e ficar. Sem vai e vem, sem se cruzar, ir e ficar.
 Pra sempre.
 Eu te carregarei comigo, por que nós estamos ligados por algo muito mais forte que tudo.... Você tem sido pra mim, um final de tempestade.

Beijos, D.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Um pouco de Lú e Criação

Como já escreveu Shakespeare e muitos outros na história: '' Há mais de seus pais em você do que você supunha.''
Desde pequena, acompanho o jeito de ver o mundo do meu pai. Ele sempre contava das experiências no universo colorido dele. Ele gostava de fazer testes disfarçados de brincadeiras para que eu e meus irmãos soubéssemos  observar o mundo. Sempre nos disse que as ideias mais brilhantes da humanidade vinham de simples observações quase obvias, nas quais ninguém ainda havia percebido.
Certa vez, por volta dos meus 6~7 anos, a minha televisão havia estragado e ao invés de mandar ao concerto, ele me disse que procurasse algo que eu gostasse de fazer. Então eu peguei uma folha e os poucos lápis de cor que eu tinha e comecei a desenhar o que eu via. Quando eu mostrava pra ele, ele me fazia olhar de novo para o que eu havia desenhado, e me perguntava por que eu havia de ter desenhado um retângulo se tinham vários lados? Então me ensinou a desenhar as coisas como realmente são, com perspetiva.
Aos oito anos, ele conseguiu pra mim aulas de arte terapia para que eu desenvolvesse a criatividade e aprendesse coisas novas. Eu ajudava ele as vezes a brincar com as palavras compondo frases objetivas e diferentes nos slogans para os trabalhos dele.
Eu sempre soube que podia contar com a ajuda dele para absolutamente qualquer coisa. Passamos muitas tardes falando sobre como são as pessoas e como é o mundo. Ele gostava de brincar sobre como as vezes são incrivelmente estúpidos os egos humanos, e sempre que eu tinha um problema, ele jogava frases ao vento para que eu as ligasse e pensasse como selecionar a questão. Com dias mãos, dois olhos, dois ouvidos e uma boca, há de se fazer qualquer coisa. É só deixar os egos pra lá e brincar com a inteligência.
Há uma frase pela qual eu sou eternamente apaixonada que diz: ''Você é tão mais doce que o chocolate que basta colocá-lo em tua boca para ver quem se derrete por quem.''
Eu nunca vou esquecer da gente meditando juntos no templo budista, ou fazendo brigadeiro para em seguida ver séries ou mesmo nesta quarta passada que eu me senti mal na escola e ele veio de longe para ver como eu estava e me fazer cafuné até dormir.
Pensador, escritos, desenhista, psicologo, cozinheiro, designer de produto, o lance lá das relações humanas... Não, ele não foi nada disto, mas por mero diploma. Como web designer, ou agora como gestor ambiental e como meu pai, ele é o melhor do mundo naquilo que faz.

Beijos, D.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Está chovendo


Está chovendo dentro de mim. Eu estou ensopada de mim mesma. Está chovendo, está chovendo dentro de mim. Neste chuvisco de noite, tudo congela e eu me perco de mim mesma. Eu não consigo mais ver as estrelas e a neblina está me cegando nesta cidade. A nevoa pesada está preenchendo meus poros de angustia, não há espaço dentro de mim. O meu sangue está se agitando violentamente. Eu estou entupida, entupida, entupida de mim. Eu estou me afogando nos meus pensamentos. Eu estou mergulhando por um mar inteiro de palavras mal ditas e de beijos mal dados. Há um piano distante brincando com os meus movimentos.. brincando com as notas dentre as minhas lágrimas. As palavras não tem sentido pra mim, e mesmo assim elas me quebram sem querer. Eu estou perdendo o meu corpo sem perceber. É difícil de mais partir desta nevoa, é difícil de mais chegar a beira. A minha força é um cristal fosco que se acende de muito em muito tempo. Ainda há tempo, eu preciso deixar a garoa me levar para o mais longe possível, deixar a nevoa me arrastar... depois da chuva sempre resta o chão molhado e o ar úmido, ainda há esperanças para um novo recomeço. É hora de se religar, é hora de se remodelar, de se refazer. Preciso me desfazer desta camada de mentiras. Preciso me purificar... e deixar o pó pra trás....

domingo, 10 de março de 2013

Bailarina de vidro


Desde pequena ela sempre quis explorar todo o mundo. Com '' todo o mundo'' podia ser apenas um lugar, um lugar. Sempre se sentiu como uma bailarina numa caixinha de musica, dançando para todos e olhando pela janela, sonhadora. Sonhando correr pela praia e cair na areia... senti-la em sua pele e deixar o vento escorrer pelo corpo. Uma bailarina que dança e dança tentando se expandir pro mundo, querendo que a musica de sua caixinha seja ouvida. Uma bailarina de vidro. Bem protegida, mas extremamente frágil. Uma bailarina que sonha simplesmente bailar por ai deixando a saia se esvoaçar e a arte do mundo a engolir. Dançar, dançar, dançar! Para todos e principalmente para si.
 Ela sonhava ser um espelho de sentimentos, queria que seus movimentos carregassem o exilir da paixão. Não bastava ser sufocada pela caixinha, seus sentimentos a atordoavam e ela dançava triste. A chuva escorria pela janela e ela dançava sem parar, tristemente, sonhando banhar-se em toda aquela água. A água deveria deslizar pelo seu corpo e a purificar de tudo, deveria se mesclar a ela como todo o resto do mundo.
 Ela queria dançar musicas diferentes, ela queria saltitar musicas felizes e se esvoaçar lastimosamente em musicas de receios.
 Ela queria sentir cada nota do piano ressaltando em seu coração! Ela queria ser a musica! Ela queria ser tudo! Queria dançar incessantemente até que o mundo lhe enchesse a alma e a inflasse.

Beijos, D.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Uma despedida

 Era uma noite qualquer de verão... você me beijou nos lábios e me confortou como sempre fez. Disse que me amaria para sempre e jamais me deixaria sozinha. Eu adormeci nos teus braços com a certeza de que o veria acordar na manhã seguinte... e isso não aconteceu...
 Os dias passavam e eu olhava pela janela embaçada esperando pela seu retorno, esperando que você se lembrasse da doçura das minhas palavras e porventura vontasse aos meus braços. Isso também não aconteceu... Eu me tornei um livro velho e empoeirado numa estante antiga esperando para ser lido.  O tempo me fez escrava de mim mesma. Eu sonhava com aquela pele macia me envolvendo de novo, e aqueles olhos mel me observando. Me perdi em em outros lábios desejando apenas os teus beijos.
 A chuva antes doce e pura tornara-se fria e dolorida. As palavras se atroviaram dentro de mim e me engasgaram de tristeza. Meu gritos internos parecem ecoar dentro de mim a todo instante e não há adorno que me encante ou traga de volta aos meus olhos, o brilho que sempre foi dele.

Beijos, D.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Um laço


Um laço foi se deixar esquecer num coração carente. E assim se fez um grande segredo que ninguém jamais soube. Adormeceu como palavras borradas num papel antigo. A lua continuou surgindo e nos observando como sempre fez. Sempre que eu deslizava pela noite eu carregava você sem saber até que ponto tudo aquilo era verdade. Surgiu e se foi como um sonho passageiro, daqueles que você se arrepende de acordar. Desapareceu como se nunca tivesse acontecido, não haviam provas físicas, não havia nada que pudesse me mostrar o quão real foi. Aquela tarde chuvosa que você me carregou nos braços, aquela noite sufocante que você beijou-me a testa... tudo se esvaneceu com o tempo e apertou dentro de nós. A tua voz tem me preenchido mesmo que eu não soubesse. Eu me refugiei em outros braços e beijei outros lábios e no fundo, eram os teus que eu precisava, era no seu ombro que eu sonhava adormecer de novo. O teu rosto acompanhava todos os homens que passavam por mim, e neles eu procurava um pouco de você. Como você pode se perder tão fácil de mim? O destino nunca nos deu uma chance de nos beijarmos a não ser aqueles dias... eu os roubei do tempo e tenho os sufocado desde então. Longos dois anos de passaram, e você continua sendo o meu anjo.
  E apesar disto nunca ter existido, a nossa promessa se prossegue.. eu continuo amando você...

Beijos, D.