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quarta-feira, 24 de outubro de 2012

O despertar~



Eu abriria os olhos e veria você dormindo tão lindo que teria pena de acorda-lo. Perdido em seus sonhos com um sorrisinho no rosto. Uma camada branda de luz do sol viria da janela iluminando nossos rostos, e então eu me sentiria num sonho acordando com a pessoa que mais amei até então. Faria caricias no seu rosto, tocando aquela pele macia desejando que aquele momento fosse eterno... seus olhos se entreabririam e nós iríamos sorrir juntos e nos olharíamos como se fosse o primeiro olhar, nos apaixonaríamos ainda mais naquele momento. Me sentiria tão grata por estar nos braços de anjo.. me sentiria como a primeira vez que nos vimos, aqueles olhares perdidos sendo recolhidos no amor de um abraço e na urgência de um beijo. Eu deitaria a cabeça no seu peito como nos velhos tempos e receberia seu carinho sentindo seu jeito e me sufocando de amor. Sentiria uma felicidade tão profunda que lágrimas adormeceriam nos meus olhos.. eu sentiria vontade de sorrir como nunca senti. O clima ficaria tão terno e em tão plácida paz que nada mais do mundo nos bastaria como a presença divina um do outro. Eu me recolheria para o seu lado e lhe daria um beijo que soaria como um agradecimento a todos os melhores momentos da minha vida que teriam sido contigo, nos teus braços e no teu amor. Você me seguraria e nós rolaríamos pela cama como crianças que nunca saíram dos quartos correndo pelos vastos campos floridos. Você estaria tão lindo como sempre foi, com o cabelo desarrumado e aquele brilho nos olhos que eu sempre amei. Não seriamos mais os mesmos, mas nosso amor estaria intacto, o tempo teria passado e as lembranças se acumulado numa grande historia de amor. Todos os nossos sorrisos e lágrimas desesperadas passariam por nossos olhos em quanto olharíamos um para o outro. Estaríamos completos e felizes como sempre quisemos. Sentaríamos na cama e nos abraçaríamos em profunda tranquilidade. Dentro de mim haveria uma vontade incrível de afogar naquelas cobertas e te esmagar em um abraço carinhoso. Você sorria como raramente sorri, forte, de verdade. Eu acharia a visão mais linda do mundo e lhe daria um beijo na testa. Levantaríamos e sairíamos caminhando, nos empurrando e nos tapeando entre beijos e abraços até a cozinha. Eu faria torradas para nós dois e você me contaria suas expectativas para o futuro, colocaria uma rosa dentro de uma garrafa de vidro no meio da mesa, derramaria o leite no chão e começaria a reclamar de mim mesma, na mesma hora você pegaria da minha mão e sorriria para mim...
Eu tenho sonhado tanto pelo dia em vamos dormir e acordar juntinhos, eu tenho sonhado pelo dia em que vou te encontrar de novo. Eu tenho sonhado com abraços e beijos fofos, querido, eu tenho sonhado com você.

Beijos, D.

Demônio feminino


Teu olhar sedendo me provoca o desejo.. a perdição sensual dos teus lábios faz-me delirar. O roçar da tua pele na minha me consome em fogo e luxuria. Teu alento desperta meu anseio voraz e vil. Você é uma chama ardendo em minha pele. Meu pecado favorito. Renda-se a mim esta noite mera meretriz, renda-se ao meu fervor. Seduza-me como um demônio feminino e deixe-me provar do seu mal.Vagarei por teu corpo como um moribundo esfomeado. Satisfaça minha sede de prazer, dê a mim seu corpo. Teu perfume apenas atiça meu almejo. Meu inferno doce, envolva-se em meus lençóis e deixe-se morrer lentamente no meu calor.

Maldita meretriz venenosa...

(Ui, antigo)

Beijos, D.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Re-ligar


Misturava o café devagar observando o movimentar do liquido bailando na xícara. Eram seis da madrugada e a noite havia se arrastado como uma lágrima silenciosa. Sequer ouvia os ruídos da noite, aquela casa vazia, preenchia-se de sombras e ela se envolvia com o vácuo. Seus olhos se derretiam sob o café, que rodava incessantemente . Conduzida pela fome de vida, abandonou a cozinha e pôs-se  na varanda. A noite parecia amarga de se respirar, os ventos pareciam quebrar-se ao tocar em sua pele como laminas frágeis quebrando-se ao golpear uma armadura de ferro pesada. Sentia-se deslocada da noite, como se fosse apenas um fantasma pairando suavemente e se movimentando como o deslize de um véu... como uma melodia preenchendo um vazio qualquer. Fora de realidade, aventurava-se nos mistérios dentro de si mesma, acalentando as inquietudes e dormindo em leito do vão. A paisagem soturna tanto lhe encantava quanto lhe sufocava. Uma dualidade assustadora cravava guerras em seu peito. A cada golpe de ambos os lados, ela sentia uma fincada em sua alma. Por que tudo aquilo parecia tão difícil? Um peso mantendo seus pés no chão. Faltava-lhe o ar, montuava-se de si mesma, guardava, acumulava, e um grande monturo se fez em si. Passava os dedos levemente no apoio de mármore branco da varanda, e quis entender, por que nada se encaixava.
 Após alguns momentos mais, presa, o sol nasceu tão límpido e laureado que ela esqueceu-se todas as suas dores e desencaixes. A luz tomando-a para si por completo, desintegrando qualquer tipo de sombra, como uma flor dente de leão sendo soprada á uma rajada de vento. Inundada de vida, ela enfim, compreendeu.

(Sim, historias inacabadas. Não, não irei terminar)

Beijos D.