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sexta-feira, 1 de julho de 2011

O suspiro da morte


Talvez um dia eu tenha que engolir todas as minhas palavras. Elas não chegam aos seus ouvidos. Elas não são destinadas ao seu coração. Elas servem apenas como um conforto, um refugio, uma sustentação. Para aliviar o nó em minha garganta. Eu preciso cuspi-las, antes que me sufoquem.
Eu não estou pronta para isto. Eu idealizei a minha vida inteira. Eu vivi dentro de meus sonhos, me fiz vitima de meus tremores. Eu via, mas não percebia o caos e a dor que tem enjaulado muitas lágrimas. Eu não enxergava o quanto este mundo pode ser cruel para mim. Eu ouvia gritos estridentes, mas quer saber? Eu ignorava. E não era sem querer. Não podia aceitar que tudo aquilo que eu acreditei nunca existiu.
Alguma vez, você já adormeceu em um mundo encantado aonde as flores cantam, aonde a relva fresca te inspira e cativa e acordou em meio a brasas? Você sequer imagina a sensação de despertar em chamas?
Então por favor, não junte minhas lágrimas. Deixe-me derrama-las nas cinzas. Os destroços de minha essência. A perdição de meu suspiro.
Deixe que o vento leve para longe. Deixe apodrecer. Meus gritos não irão acalentar ninguém. Apenas vão me empurrar para onde o sangue puro já foi derramado. Só vai me sufocar e me retirar as forças para acreditar. As palavras de revolta rasgam minha garganta e se esvoaçam para sumir em um tempo qualquer.
Deixe-me sozinha agora.
Está ardendo; Está queimando; Está me matando.
Todo este céu espelhado e esvoaçador era um pedaço de meu coração, eu o sentia perto de mim. E agora? Ele se tornou uma salvação distante. Entorpecedor, adornador de almas, alimentador de corações e uma peça de quebra cabeça para os poetas.
Eu nunca pude ter um tempo para engolir. Eu nunca pude ter tempo para não acreditar. Apenas eu estava andando por aqui. Por que jamais me avisaram? Por que tive de ver com meus próprios olhos?
Eu terei de respirar sem estar preparada.
Sofrem aqueles, que respiram sonhos e poesia sem jamais ter conhecido as palavras de dor.


Bem vindo a realidade.

Beijos D.

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