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terça-feira, 26 de julho de 2011

Meu doce veneno

A fúria me enlaça toda vez que tento enxergar além da névoa vasta em seus olhos e só enxergo o profundo poço negro entorpecedor. Me deitou no leito medonho de meu pranto e me chicoteou, me possuiu. Provou de meu sangue e delirou com sua fragrância. Dominou minha alma até que estivesse satisfeito. Deixo-me fraca nestas chamas mortais. Eu desejei, e como desejei, fugir para desanuviar a cabeça.
Deixou uma criatura horripilante tomando conta de seu jantar eterno. Me pendurou no inferno. Senti minha pele arder e implorar para se desintegrar entre o carvão desta maldição. Ousou jogar-me em um oceano de almas penadas. Eu não me misturei. Os demónios despedaçados em minhas entranhas tornaram-me incapaz de ser aprisionada antes de ser caçada pela doce e generosa asa da morte.
Laminas de fogo divertem-se com minha carne podre. O suave som fúnebre do inferno aguça o eclipse que está aprisionado em meu espírito á tanto tempo. Meu doce veneno vem se espalhando por todo meu corpo. Minhas veias já não me pertencem. É hora de partir, tome-as de mim. Não são importantes. São as cordas que me prendem neste pesadelo. Corte-as e me liberte.
As lágrimas foram varridas por uma onda de ódio profundo. Lágrimas são perda de tempo. Apenas criaturas fracas a carregam para dentro do inferno.
Eu me perdi no leito de almas sem rostos. Sua voz continua trazendo a meu corpo toda esta escuridão eminente que venho tentando me livrar desde memorias passadas.
Os homens se encontram sem coração e de olhos igualmente amaldiçoados, com a pele arrancada e o sangue sugado pelos deuses negros.
Estão em decadência.
Procure no seu Deus mais poderoso. Pergunte-se: Por que tantos foram embora? Pergunte-se:
Por que você continua aqui? Onde está o sentido agora? Aonde está?
Meu doce veneno... Envolva-me, engula-me. Ao amanhecer, eu me livrarei de você. Não será mais util. É apenas um pequeno banquete.
Arrastesse e seja devorado pelas sombras, comigo filho da puta!
Você sabe... Os venenos mais forte costumam perder a serenidade... Eu vou te envenenar devagar... Beba o sangue querido... Arranque pedaços da carne morta. Sirva-se querido... Você vai adormecer, mas saiba, irá despertador no inferno seu idiota. =]
Espere-me a noite, eu não estarei aqui pela manhã. Talvez eu nem esteja neste mundo.
Desapareci com o tempo, aquela que amava, sufocou-se em seu próprio amor tolo. Fique calado ou despertará criaturas não irá lhe agradar.
Bebeu de meu sangue, agora é minha vez.

Meu doce veneno...

Beijos D.

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