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quarta-feira, 8 de junho de 2011

Á ermo


Em quanto eu me escondo nesta névoa pavorosa. Em quanto eu me escondo nesta noite sorrateira.Eu vejo a perdição abaixo de meus pés. Eu sinto as pontadas, eu sinto laminas me perfurando profundamente.
Escolhendo os dias mais frios e cinzentos para meu devaneio. Neste ponto desconhecido da terra, neste ponto de almas esvoaçantes, eu continuo a procura. Eu continuo a espera.
Eu vejo, eu o vejo colocando os pés para fora de sua toca. Possuído por um anseio desesperado por tudo aquilo que pode lhe trazer a vida. Desesperado por tudo aquilo que o possa fazer respirar sem fazer força. Por aquilo que pode fazer com que não sinta peso de sua própria carniça. Ele deixa os restos de seu sangue. Fica fácil localiza-lo. Ele procura os pedaços de terra que tenham árvores, laminas compridas de relva, flores brancas e tudo aquilo que lhe agrade quando despertar. Toda sua alma. Como pode, ele não entende que está vendendo sua alma por seu espírito?
Seus passos tortos e desajeitados continuavam os mesmos. Seu coração estava mais distante do que costumava. Seus olhos vagavam sobre uma realidade falsa. A minha imagem pairava sobre o ar, o alcançava o iludia, o envolveria e sumia como um simples borrão esfumaçado em um canto negro de asfalto.
Seu sorriso era maníaco, seus olhos eram demoníacos. Murmurava em seus ouvidos. Gritava entre sussurros. O atormentava. Seus olhos não se direcionavam a mim. Nem podia ter certeza se me via. Mas me escutava. Ele silenciava uma dor a cada palavra, fechava os olhos a cada grito aterrorizado. Apertava os lábios, a cada sussurro, se torturava, a cada lágrima.
E de repente, não estamos mais aqui. O céu caiu sobre nós, o chão rachou e o vi cair cada vez mais fundo em um buraco negro. Completamente profundo.
Ele caia rápido cortando o ar e perfurando as sombras criadas. Não sei de onde vieram, mas eu não as trouxe aqui.
Sobrevoava e o rodeava. Seus olhos ainda eram de um azul marinho despreocupado, frio, distante.
Você tem medo de morrer? O perguntava a todo instante. Ele tentava me tocar e me puxar, infelizmente para ele, eu sou apenas uma sombra. Começando a se desesperar, ele se segura nas pernas de uma criatura bizarra.
De volta a terra firme, em um deserto escuro. Solitário e ameaçador. Á ermo.
Desafiando suas memorias e suas energias, seus sentimentos, sozinho apenas consigo e com suas próprias criações tenebrosas, pega o fruto amaldiçoado e o prova. Mesmo que isto me mate.
Eu sei que tenta esconder, eu sei que tenta fugir. Mas eu sei para onde você vai todas as noites.
Eu sei por onde você vaga em quanto me encontro em descanso, adormecida em algum lugar de pulsações eternas, no leito de algum de meus próprios lagos de mágoas.
E quando você respirar pela ultima vez, e quando eu estiver plenamente adormecida em um de seus pesadelos, quando você me provocar feridas e pontadas provando desta fonte todas as noites, você vai se lembrar de mim.

Pois eu sei,
por onde você anda todas as noites...
Pois eu sei, por onde você anda todas as noites.

Beijos D.

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