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sexta-feira, 6 de maio de 2011

A donzela que vagava a luz da lua



Ela vivia refugiada, no alto das colinas em uma casa pequena e antiga. Pela janela, ela vê a brisa que baila sob as flores, ela escuta as ondas lutando contra os rochedos; Toda a imensidão do mar de segredos. Ela observa as nuvens desfilando pelos céus de um azul claro brilhante. Ela sonha ver de perto o pôr-do-sol, ver de perto as cores condensadas no azul libertador. Mas ela teme deixar seu aconchego.
Ela vive rodeada pelos próprios fantasmas. Carrega consigo um amor despedaçado. Vive dia após dia trancada durante o dia. A noite, ela vaga sob as colinas e envolve-se a noite escura, admira a lua. A lua está sempre iluminada, um pedaço divino, uma pérola no topo do céu que ilumina o caminho da doce donzela perdida dentro de si mesma. Por isto, a moça é conhecida como donzela da luz da lua, a amante desta luz sublime. Todos que se aventuram a caminhar por estas colinas a noite, presenciam suas lágrimas caindo. As lágrimas, vem de seu coração gélido, que derreteu na ardência de um amor, um amor no qual ela fugiu, um amor no qual ela teve medo, um amor que o tempo não levou. Seu coração, que costumava ser uma pedra de gelo, derrete cada dia mais. A donzela, temeu amar. Alegou ser forte. Alegou ser indestrutível. Alegou que o amor não podia toca-la. Mas tocou. Foi um destino no qual ela não pode correr. Foi uma dor que ela não conseguiu ignorar. Ela, que se dizia tão forte, se tornou a criatura mais frágil e doente deste solo fresco.
* * *
O sol mergulhou nos lagos negros, a lua subiu para seu lugar de mérito no céu, e a neblina já tapara as estrelas mais fracas, em quanto a luz da lua tremeluzia através dos véus de seda cinzentos que cobriam a melancolia da noite.
A donzela, fez sua caminhada até o alto das montanhas, para o mais próximo do céu. Ela andava em passos leves, andava sem firmeza, o vento harmonioso quase podia leva-la consigo, em vez disto, a tirava para dançar. Ela levantou as mãos para cima e rodeou de um lado para o outro, fazendo gestos suaves com as mãos e jogando os cabelos longos e negros ao ar,até que se sentiu exausta e se jogou na relva úmida pela gotas de orvalho, caindo assim de costas pro chão, tendo a perfeita imagem das constelações. Ela fechou os olhos e colocou as palmas sobre o rosto.
Eu esperei tanto, que me tornei o próprio tempo. E eu, continuo parada. Pensou a donzela em quanto revisava as circunstancias nas quais ela se encontrava.
Ela podia escutar o som, quase melódico, da fúria dos lagos intensos debatendo-se contra os rochedos. Um lago, que tenta desesperadamente engolir o resto da terra. Um lago de angustia, de tristeza. Um monturo de sentimentos abandonados. Infelizmente, A linda donzela não conseguia arrancar as raízes de seus sentimentos. E ela precisava fazer força para que eles não crescessem. A ausência de seu anjo lhe enlouquecia. E ela sabia que esta saudade seria eterna. Um pedaço dela estava escondida com ele, sem que ele soubesse. Aquele lindo e bravo homem, que partiu de sua vida, antes mesmo dela poder lhe dizer tudo aquilo que crescia em seu peito. E uma parte dela -ela tinha medo de quanto poder esta parte tinha- queria, desesperadamente, correr atrás dele. Mas era tarde demais. Ele se fora.
Ela se sentia revoltada consigo mesma. Ela tinha uma raiva forte e pavorosa, como trovoadas contra si mesma, que viviam guardadas nela, em sua coleção de sentimentos ignorados.
A donzela, novamente derramando suas lágrimas, levantou-se e caminhou até as margens do lago, e mergulhou nele como se mergulhasse em um abismo, como se mergulhasse em um pedaço de trevas. Ela quase se afogara por tamanho remorso que havia em seu peito.
Até o fim de sua vida, todos os habitantes e refugiados, a viam todas as noites, acompanhadas de suas lágrimas e seu coração, que agora se trasformara em pedaços de diamante, que não continham valor nenhum. Não para ela.
Suas lágrimas se tornaram irrevogáveis. Pois ela se arrependerá para o resto de sua vida, por não ter aceitado seu destino. Pois agora, se encontra em destino algum, afogada em anseio.

Beijos D.

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