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quarta-feira, 13 de abril de 2011

Neve sangrenta


Vejo os rostos atordoados olhando para mim. Não tentem, não tentem juntar os fragmentos. Preciso saber, até onde posso suporar. Quero ver, em quantos pedaços meu coração pode quebrar.
Preciso que eles se acustumem com a dor continua. Pois ela seguira comigo por muito tempo. Para o mais distante de mim. Para o mais fundo de minha alma. Tanto, até não poder sentir mais. Ou ao menos, ser a unica coisa pela qual ainda poderei sentir. Eu não me importo em viver destas lembranças, prefiro assim. Não é algo que eu queira eliminar. Não mémorias nas quais eu possa apagar. Todos querem me salvar. Todos querem juntar minhas asas. Elas ainda não estão quebradas, entendem. Preciso cair para poder voar. Minhas asas cansadas pelo esforço não suporta mais o peso de meu corpo. Meu olhos não suportam mais o peso de minhas palpebras. E meu peito não suporta mais o peso de meu coração de gelo. Uma forte brisa fria passa por meu corpo me dando calafrios. Sinto o vento se envolvendo comigo como véus de seda se enrolando por meu corpo. Estendo a mão para cima e abro os olhos. Caindo do imenso céu. Despencando de todos os sonhos.
O impacto. A dor. Me encontro deitada em uma poça de sangue sobre toda a neve. Neve vermelha. Sem sentir meu corpo frio e pálido, com flocos caindo sob meu rosto. Lábios roxos e uma aparencia morta. Me encolho e me cobro com minhas asas quebradas. Esperando pelo amanhecer. Me sufocando com a angustia e repirando um ar gélido, suspirando ofegantemente. a solidão e a libertade nunca pareceram tão entrelaçadas como agora. O ar frio passava por meu rosto,estremeci. A noite escura e o céu estrelado subestimavam meu potencial, esperando por minha desistencia. Um anjo morrendo no meio do nada. Com o vazio vagando sob mim. Uma perfuração que ardia com força. Eu sinto, meu sangue correndo quente, eu sinto, meu coração batendo fraco. A tempesdade furiosa tentando me banir de tal espaço, fazia trovoadas violentas. O ar parecia cada vez mais umido e ficava cada vez mais dificil respirar. Quando fechei os olhos. O escuro parecia estranhamente confortador para minha alma repousar. O gelo derretendo cintilava clareado pelo luar perfeito.
O cheiro de sangue me deixou tonta e me enjoou, senti um leve desconforto em meu peito.
Aquela sensação de estar deitada no meio de um pedaço de inverno perdido, sendo castigada por uma tempesdade, e glorificada por um luar divino, repleto de nuvens escuras que realçam a melancolia daquela cena, me deixou um tanto quanto fascinada, mas confusa. Era estranho. Era aliviador. O ar dançava a minha volta pairando sobre mim. Estiquei as mãos para cima com esforço tentando envolve-lo a mim, para que se tornasse parte de mim por um momento.
E em certo momento, me senti parte daquilo. Parte da natureza que estava em minha volta. Parte de mim mesma.
Me deixem morrer, apenas por um momento. Me deixe chegar perto das trevas, atravezar essa dimensão. Viver na escuridão por um momento previo. Me deixe caída aqui neste pedaço de terra, sangrando. Me deixe aqui por algumas noites de baixo deste luar encantador. Deixe que o sol me chame de novo em quanto queima minha pele perolada e cega meus olhos. Me deixe suportar a dor. Para que eu veja a vida quando acordar de novo. Quando minhas asas quebradas se recuperarem, e o voarem o mais alto e mais rapido como jamais foram. Deixe-me acustumar o meu coração com o sofrimento.

Beijos D.

Um comentário:

  1. Nossa Dann fico extremamente perfeito, e eu intendi cada palavras cada frase escrita, fico magnifico. oo/

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