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sábado, 30 de abril de 2011

Abraçando seus fantasmas


Eu sinto você tão distante de mim. Eu tento, eu tento esquecer que o dia está longe de mais. Você está vendo estas estrelas meu amor? Eu as observo todo dia, imaginando como seus olhos tão negros quanto a noite escura brilharam ao -las também. Doí esperar por seus sinais, ou não recebe-los. Você parece tão distante e tão próximo ao mesmo tempo. Eu sei que por mais que eu andasse por estas estradas geladas, por mais que eu fugisse de dentro de mim, eu não o encontraria. Onde poderia lhe procurar meu amor, me diga.
Você foi lutar contra o atrito que existe em você. Eu só passo meus dias esperando, esperando que sua guerra acabe e que volte para mim. Eu espero todos os dias por você, e mesmo que você nunca volte, eu vou continuar esperando. Nem a morte irá me separar de você.
Eu ando com pés pesados e uma dor imensa. Eu caminha abaixo destas estrelas, você está as vendo meu amor? Olhe para o seu, olhe para mim. Esta noite sublime, esta noite é apenas mais uma noite das quais enfrento todos os dias. E doí apenas esperar por você e não poder fazer nada.
A dor se afugentou do canto escuro e vazio que eu criei para ela. Eu continuei andando perdida por onde você me pediu para que vagasse, por que não consigo me encontrar em suas palavras. Você esqueceu de por placas meu amor, você esqueceu de me dar um mapa. Onde está meu coração? Onde está os fragmentos dele?
Sentada, abraçando meus joelhos, com lágrimas insistentes me sufocando, decidi levantar. Não para cair. Não de novo. Já estou muito machucada, eu não quero mais isso, mas como poderia fugir? Uma parte de mim está no final deste caminho perigoso e tentador. A névoa sublime passava por mim me perfurando com sua melancolia. E de novo, encontrei-me com meu silencio, encontrei-me com meus demonios. Deixei que as lágrimas secassem e fui para outra estrada que estranhamente envolvente, era confortadora. Era um refugio perfeito. Para algum lugar longe de suas sombras, fugindo para um abismo que desconheço. Algo deve me surpreender, a mesma dor estava me matando.
Uma estrada desconhecida. Me senti tão próxima de mim, tão próxima de meu coração. Me sinto mais perdida nas estradas habituais do que na perdição de estradas vazias e inexploradas. O mistério daquela rua me seduzia. A escuridão no final dela era hipnotizador. A euforia e a tentação me dominavam e transbordavam no negro intenso de meu olhar vertiginoso com sede de trevas.
Continuei vagando por aquele caminho sombrio. O único refugio no qual eu pude encontrar. Eu estava sendo caçada por mim mesma. Eu estava me caçando. Caçando meus demonios sanguinários, amantes da dor e da tortura.
Eu, um anjo, estava destruindo os monstros que haviam em mim, que insistiam a seguir aquela estrada antiga, um ermo. E dentro daquela nostalgia, minha aura clara e brilhante cegou o meu próprio espírito que não queria sanar meus ferimentos.
Com meu demonio temporariamente destruído, virei-me para correr para longe daquele lugar. Um vulto seu me fitou e disse:
- Eu te amo... Aguarde-me. Você ainda pode me esperar...? - Disse sussurrando como se não quisesse que ninguém ouvisse além de mim, como se nos obsersevassem. Sua voz soou como um eco.
Logo após sua imagem desapareceu em uma névoa fina no meio do nada. Abismada, sai correndo tropeçando pelo terreno irregular. Sentei-me no chão de minha velha estrada, e continuei esperando. Abraçando seus fantasmas. Até que você apareça para me buscar.
Venha me salvar meu amor, venha logo.

Beijos D.

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