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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Gritos de dor no calar da noite



Apesar de andar sempre para frente,
eu andei em círculos.
E por mais que eu corresse. Por mas que eu procurasse um caminho,
parava sempre no mesmo lugar.
Sempre no mesmo ponto. A parte que eu mais odeio neste caminho.
Este único lugar aonde eu sempre chego depois de andar muito.
Eu tento correr rápido, tento andar muito, com muito esforço vou além do que fui na ultima vez, apesar de cansada, continuo correndo, ofegante.
E quando penso que finalmente, cheguei a um lugar diferente,
percebo que estou no ponto de partida, de novo.
Após tanto esforço, minhas pernas doem.
Minhas mãos arranhadas ardem.
Fico fraca.
Caio no chão.
No mesmo lugar aonde sempre estive e nunca consegui sair.
Eu tento me levantar, mas fico sem forças.
Fico deitada, por muito tempo, sem conseguir levantar.
Prestes a desistir.
De repente, começa a chover.
As gotas geladas caim sob mim.
O chão fica úmido.
Aperto a terra do chão com os punhos,
tento me levantar com uma mão apoiada no chão, e outra a altura do coração
como se eu cuidasse de uma ferida enorme. Uma ferida impossível de ver.
Uma ferida de dor crescente.
Rapidamente, caio novamente.
Deitada para cima, olho para o céu.
Cinza, nublado, maligno.
Os trovões raivosos reclamam de minha desistência.
Levo minha mão até o peito. A deixo sobre a outra.
minha pele gélida, meu corpo fraco.
O ferimento sangra mais.
Como se ele aumentasse a cada instante.
O sangue escorre pelas minhas mãos e se mistura a chuva fria.
Eu grito.
Eu não perdi as esperanças apesar de tudo.
Eu tento pedir socorro,
mas parece que estou completamente sozinha aqui.
Meus olhos pesados me vencem.
Não consigo mais abri-los.
Eu escuto sons,
passos.
Escuto palavras que me dizem para aguentar,
mas não entendo quem as diz.
Talvez minha mente? Talvez só imaginação?
Consigo abrir os olhos e me encontro em seus braços.
A chuva continua caindo sob meu rosto,
agora a chuva não se mistura ao sangue, e sim as minhas lágrimas.
O sangue parou de escorrer.
Sua mão se encontra sob meu peito, curando minha ferida.
Então me encolho para escapar do frio,
sabendo que agora, estou em segurança.
Pois você foi o único, que escutou meus gritos.
O único, que identificou minha dor
e veio me socorrer.
Você conseguiu, cicatrizar minha ferida.
As nuvens vão embora,
e o céu se ilumina.
E finalmente, consigo tomar outro rumo.
Consigo sair do lugar, sem voltar para o inicio.
Tudo por que você me salvou.

Beijos D.

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