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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Presa em sonhos ocultos


Eu cansei de me ocultar. Eu cansei de viver sozinha, trancada naquele quarto com cheiro de livros velhos. Cansei de obter as informações e deixa-las só para mim. Eu realmente cansei de tentar não mostrar minha opnião e ficar calada diante a qualquer coisa. Eu sempre tento me ocultar de qualquer maneira, e seja o que estiver acontecendo, me trancar no meu quarto e escutar musicas e ler. Não quero mais ficar calada. Não sou muda. Mas estou como uma. E não quero mais. Não quero mais reprimir magoas e as engolilas sem poder soltar para fora. Já não conseguia mais gritar. Eu tentava, mas me acustumei com tal silencio vindo de minha própria boca. E agora, justo agora, o silencio está me deixando inquieta. Pensamentos alheios me dominam por maior parte do tempo. Meus livros já estão cheios de pó. O que é raro. Sou invadida por fortes frases em meus pensamentos, fortes lembranças e já não consigo me concentrar em mais nada. Acabo que deixo tudo para o dia seguinte.Agora é minha vez, eu quero gritar. Me deixa gritar. O mais alto possivel para que todos possam ouvir. Pois apenas aqueles, que conseguem me entender apenas olhando no fundo dos meus olhos me abraçavam. Porém, continuavam em silencio. Tudo se acumulou por tanto tempo que fiquei um longo tempo sem chorar. Até que, certo dia, eu desabei. Sem motivos. Em um abraço consolador. Não para mim. Mas para outra individua que chorava no momento. Até que lhe abraçando, uma lágrima gelada desceu em meu rosto, seguida de mais muitas delas, que não paravam. Tudo ficou preso por tanto tempo, que demorei para colocar tudo para fora. Tempo demais eu diria. Chorar é bom. Todos dizem que chorar é ruim, discordo. Ruim é o motivo pelo qual se chora. Após chorar eu sinto um certo alivio. Pois tudo que estava trancafiado vai embora. Não completamente eu diria, mas, aquela vontade incomoda de chorar do nada e não conseguir. Aquela sensação de tristeza que vem do nada. Eu gritei. Consegui gritar. Não usando minhas cordas vocais mas, usando meus olhos. Meu olhar de abandono e minhas lágrimas estavam atona. Em um lugar desconhecido, em um lugar em que não era meu. Talvez pela primeira vez, não foi no meu pequeno quarto super bagunçado com cheiro de livros velhos; Foi na frente de muita gente, foi em uma hora distinta. Do nada. Como sempre foi. Mas desta vez, foi mais inesperado do que pensei que seria. Não estava exatamente sozinha; Eu fechei os olhos, mas, escutava palavras vindas de outras pessoas. Palavras que se repetiam em minha mente fazendo me chorar mais por saber o quão boba era esta atitude de chorar quando as pessoas queriam meu bem.
Não doei tanto. A dor estava ali a tanto tempo que mal a sentia mais. Havia me acostumado com ela. Mas agora estou livre daquelas magoas, e elas não são vem vindas para voltar.Mas apartir de agora, não quero mais me ocultar. Não me interressa o que os outros vão pensar, ninguém está na minha pele para saber o que sinto, ninguém sabe como e quando cheguei a tais conclusões, ninguem sabe por que eu sou assim. Nem eu mesma sei. Mudei de repente, talvez em uma de minhas tardes vazias, no meu quarto, fazendo absolutamente nada. Apenas mergulhando em pensamentos. Ninguém sabe o que é ser eu. Então, vou simplismente ignorar criticas, mas não vou deixar de mostrar o que penso e sinto. Não vou mais guardar tudo para mim. Aquele sorriso falso, morreu.

Beijos D.

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