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sexta-feira, 26 de novembro de 2010

A morte de um mudo


Hoje de manhã, eu acordei-bem tarde-, coloquei o fone de ouvidos e fui para a rua sentar na grama e olhar para o céu como de costume. Estava tudo embarrado, e úmido, pois havia chovido no dia anterior. Quase escorregando, sentei-me na grama de baixo da minha árvore. Na qual me molhava as vezes com as gotas de água que caiam de suas folhas. Quando de repente, eu olhei para o lado, e vi um lindo passarinho azul celeste, morto. Fiquei espantada e voltei para dentro. Deite-me na cama e fiquei imaginando como deveria ser a vida deste passarinho em quanto ele era vivo. E como seria se ele não estivesse morto.

Me vesti, peguei minha bolsa, e sai porta a fora. Fiquei caminhando, e meus pensamentos não se desviavam daquele passarinho. Morrer em um dia chuvoso e tedioso deve ser muito assustador. Depois de um tempo, conclui que a morte dele não deveria passar em vão. Voltei para casa, peguei uma pá, e comecei a cavar em uma parte sem grama de meu quintal. Quando já estava cavado o suficiente para ele, o peguei com um plástico e o coloquei dentro do buraco de terra.

Antes de cobri lo com terra, aonde ele ficaria para sempre, fiquei imaginando que, antes de morrer, ele tinha uma vida que nem agente. Ele fora criado pelos pais, aprendeu a voar, saiu voando alegre por ai vivendo sua liberdade, alegrando as pessoas com seu lindo canto-apesar de nem todo mundo estar acordado para isto-. Ele era muito lindo. Muitas garotinhas deviam vê-lo passando e abrir um belo sorriso. Imaginando um sonho, um mundo lindo. Sim, era mais uma beleza do mundo desperdiçada.

O cobri com terra, colhi uma rosa branca de meu quintal -tenho muitas flores e árvores no quintal- e coloquei sob a terra fofa. E na ponta, uma flor roxa, no lugar aonde deveria ficar o túmulo. Eu estava escutando uma musica linda no MP3, daquelas que dão vontade de chorar.

Me ajoelhei naquela terra molhada pela chuva, e orei pela alma daquele lindo bichano. E no momento, o céu nublado e incrivelmente negro, abriu, e o sol bateu direto em minha direção.


E é assim, que aprendemos a apreciar a simplicidade da vida.



(foto do enterro)

Beijos D.

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