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sábado, 19 de março de 2016

Sim, eu dormiria no teu peito, e pra sempre.

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Desde a primeira vez em que eu te vi eu percebi no teu olhar, uma personalidade muito meiga e doce na qual eu admiro muito. Sem dar muitas palavras por conta de toda àquela timidez, eu passei a te observar de longe conversando com os outros. O jeitinho que tu ria era muito divertido, e os gestos enquanto falava, o divertimento diante de absolutamente qualquer situação além daquelas gaguejadinhas nervosas que te tornavam tão doce e único. Tudo que tu dizia me despertava muita felicidade e leveza, e senti curiosidade de te conhecer apesar de também tímida. A gente no máximo trocava alguns olhares tímidos enquanto o outro não estava olhando, tentando se conhecer e decifrar o outro. De imediato eu te achei uma coisa muito linda de se olhar e comecei a admirar a tua ingenuidade e amor por pandinhas e coisas fofas. Te adicionei pra conversar contigo virtualmente já que pouco nos viamos, Nas primeiras conversas já ficamos quase que o dia inteiro conversando sobre coisas aleatórias, lol e coisas fofinhas, assim como nossos sentimentos perante o mundo e tudo aquilo que achavamos sobre as coisas. Por algum motivo, nossas conversas tinham um tom muito leve, o assunto fluia sem parar sem nenhuma pressão e sem precisar forçar coisas pra dizer, simplesmente acontecia de forma muito natural. Contigo eu sentia que podia falar absolutamente qualquer coisa, porque tu não iria me achar tola e eu não precisava me sentir culpada sobre tudo. Mesmo que houvessem erros ou comentários bobos, pra ti isso não era um problema, tu simplesmente ria e continuava  conversando normalmente e gostando disto. Tu gostava do jeito que eu via o mundo e das coisas que eu dizia, mesmo que fossem coisas idiotas. E eu amava o jeito que tu era timido por fora e extrovertido por dentro, sempre dizendo coisas que me deixassem felizes. Foi a primeira pessoa que eu abri meu coração de verdade para falar dos sentimentos e das coisas erradas que tinha na vida. Ao ouvir tuas versões, me doía muito ver uma pessoa tão maravilhosa sem atenção, e tão tristinha. Te empurrei pra minha amiga, e tu ficou pior ainda, então simplesmente te ouvi. Te ouvi e te apoiei porque era o que uma pessoa como tu merecia, apesar das outras pessoas não fazerem o mesmo. Eu te entendia, coisa nem teu próprio primo fazia, e tu  me compreendia também.<3 Aos poucos a vontade de te abraçar nesses momentos difícies só se tornava maior, e a todo momento eu queria estar conversando contigo ou jogando juntos. Nesse momento, eu também acabei sofrendo por um babaca, e aí foi a tua vez de me apoiar e me escutar, me cuidar... Tristes ao mesmo tempo foi o momento que nos unimos mais pela primeira vez, eu virei tua pandinha e tu o meu pandão, e trocamos muitos carinhos e amores virtuais. Não tinha um dia só que a gente não acordasse cedo e ficasse em chamada no skype quase até a hora de dormir, só saindo pra coisas banais e voltando logo. Minha vontade de te ver só ia aumentando cada vez mais e eu precisava muito do teu colo, do teu jeitinho de me deixar alegre e do teu abraço.. até que fui querendo também os teus beijos e o teu cafuné. Aquela época eu não teria suportado se não fosse tu, tu virou um anjo enviado pra me ajudar num momento tão díficil. Lembrar de ti só me vinha associado a sensações de fofura, carinho e compreensão. A gente zoava muito na bot lane, e venciamos e perdiamos juntos o tempo inteiro, e  a gente nem ligava muito pra isso, o principal era ficar se escutando no skype. Até minha familia começou a debochar falando que quem eu parecia namorar era tu.
  Num momento de ingenuidade voltei a namorar, o que eu não tinha percebido, era que tinha começado a te amar mansamente, não apenas de amizade como eu achei que fosse. E no fundo do meu coração, esse foi só o inicio do sentimento que eu carrego comigo até hoje. Tu sempre me mandava aquela música Radioactive, e ela sempre me lembra de ti e daquela época. Depois disso, passamos a nos ver todo final de semana por conta de ter voltado neste namoro. No fundo foi melhor assim, qualquer coisa diferente disto poderia ter sido muito desastroso. Eu sempre te via, dando carinho na Pocotinha, fazendo almoços, jogando, e fazendo tudo normalmente, e eu nunca deixei nem por um segundo de sentir aquela sensação de amor olhando pra ti. Quando eu vinha chorando depois de ter brigado no namoro tu sempre me consolava, eu sempre te fazia carinho enquanto tu deitava a cabeça no meu colo. O tempo inteiro eu te dava cafunés e abraços. Acordavamos cedissimo pra ficar jogando, e conversando por muitas horas. Já cheguei a ficar mais de cinco horas te olhando jogar no play de manhã cedo. Só porque eu gostava de te observar reagindo, fazendo zoeiras e rindo das coisas que iam acontecendo. Te lembra de quando deitavamos um do lado do outro e ficavamos falando sobre sentimentos e sobre nossas coisas, se olhando? De quando tu ficava deitado mexendo no tablet e eu sentava do teu lado, de quando eu te procurava só pra ver o que tu tava fazendo e te fazer companhia. Quando a gente ficava horas a fio na piscina, conversando sobre tudo. Absolutamente tudo que te envolvia naquela época só me trazem lembranças maravilhosas e saudosas, e hoje eu vejo claramente que quem me mantinha feliz era tu. Sempre foi tu. Todos os nossos dias lá eram maravilhosos, e eu preferia ficar contigo do que com meu próprio namorado, absolutamente todo mundo percebia isso. Eu sentia muito ciumes de ti e nunca te contava, eu te ajudava e apoiava a ficar com as meninas que tu gostava, mas no fundo eu sentia muito cíumes ao mesmo tempo. Quando saímos pela primeira vez para o AX foi um dia que eu percebi o quanto o meu sentimento por ti não era apenas amizade, o dia inteiro eu me senti tentada a te beijar, a te pegar pra mim, a ter a tua atenção de outra maneira. Nunca vou esquecer teu rostinho quando eu encostei o nariz no teu e apertei as tuas bochechas. A única coisa que me impediu de te beijar foi a minha ética moral de repulsa à traição. Se eu pudesse, se não houvessem conflitos familiares na época, eu teria escolhido você, sempre teria sido você e mais ninguém. A unica pessoa na minha vida que eu tive uma relação de bem estar e lealdade tão forte. Só tu me vez ver o que é ser retribuida no mesmo amor que se dá.
  Quando a gente saía, só nós dois, sempre era mágico, e eu nem precisava te beijar pra sentir que tudo tinha sido absolutamente perfeito. São dias que eu vou guardar na minha memória pro resto da minha vida. O dia no campinho, eu senti vontade de ser só tua, e foi a primeira vez na minha vida, que senti vontades sem alguém ter que me pressionar. Eu senti vontade de ver o teu rostinho enquanto tu me toca, saber como é o teu olhar me tendo, ter toda a tua atenção só pra mim e poder te realizar inteiro e te preencher porque queria ligações mais fortes contigo. As vezes eu achava que pensava isso só porque queria tua atenção, e que não era nada demais. Realmente, eu só queria tua atenção, e agora continuo querendo apenas a tua atenção, e só pra mim, todinha pra mim, pra sempre. Não importa o que façamos, eu só imaginava isso porque é a forma mais fácil de me ligar completamente a ti, que era o que eu incoscientemente queria por você o tempo inteiro, laços mais fortes.<3
  Quando tu disse que queria ir embora, e pra pararem de encher o meu saco e eu não precisar mais escutar falar mal de você, contei, eu passei o dia inteiro chorando achando que tu não falaria mais comigo. Mas tu não fez isso. Tu simplesmente disse que era a hora de tu ir, e não se importou, me perdoou. Eu senti tua falta o tempo inteiro. Já não tinha mais tanta graça ir até lá. Em algum momento nesta tragetória, nós paramos de nos falar e eu nem sei o porquê. Quando você disse que o que vivemos não foi importante, eu me senti perdendo a melhor pessoa que já tinha conhecido, e acho que nenhuma outra perda doeu tão profundamente quanto esta, apesar de a fase de esquecimento ter sido rápida. Porque indenpendente disto, eu não esqueci até te ver de novo. Eu fiquei desesperada, comecei a dizer qualquer coisa, e dizer diversos ''por favor''. Automaticamente o outro veio me xingar no chat como sempre. Aquele foi um dos piores dias pra mim, que além de sofrendo ainda tive que suportar uma pessoa que eu achava que antes era boa comigo e não era. Por todo o ano, mesmo feliz e animada com o terceirão, com amigas novas e formatura, no fundo eu sentia muitas saudades de alguém como tu, que estava sempre comigo, indenpendente do que acontecesse. Ficava lembrando de todos os momentos, e com muitas saudades e também muito magoada, te xingava por ter me deixado,  mas ao mesmo tempo o que eu ouvi foi '' eu dúvido que tu não vá perdoar ele''; E era verdade, no fundo eu torcia pra tu me chamar, no fundo eu queria que houvesse algo depois da '' vizualizada'', no fundo eu só te queria de volta na minha vida.
  Quando você começou a falar comigo aleatoriamente, eu acabei te chamando pra jogar, mesmo com orgulho intacto, mesmo assim ainda queria os velhos tempos de volta. Na primeira vez já nos falamos por 7h no skype, e parecia que nada tinha mudado. Assunto infinito igual sempre. Dia 20/09/2015.

Enquanto trocavamos desenhos, desenhei um casal de pandas pra que você entendesse a saudade que eu sentia de ser a tua pandinha. A saudade que eu tinha de todo o teu amor.  Assim que te olhei de novo pela primeira vez, eu me perguntei por que nunca tinha te beijado antes, e pensei no quão lindo tu te tornou, e como agora tu é um homem feito. Depois, na festa, tudo o que eu queria era te beijar, não cansava de te admirar e te ouvir falando, rindo e sendo o Matheus que eu sempre amei. Quando a gente se beijou, só o que eu consegui pensar foi que finalmente aquilo tinha acontecido, e que quase não dava pra acreditar. Quando tu ficou triste e foi se sentar isolado, quando eu fui me aninhar no teu colo, e nos beijamos sem parar por tanto tempo, apenas fazendo paradas pra se olhar e sorrir, eu entendi a intensidade do carinho que sentia por ti. Foi super amorosinho e carinhoso, foi o melhor beijo da minha vida inteira. Quando voltei pra casa, não consegui parar de pensar nisso, de repassar a cena na minha cabeça sem parar,e custei a dormir naquele dia. No dia seguinte, quando tu levou uns dois dias pra me responder, eu pensei que eu já não era mais tão importante pra você, e que eu tinha me tornado só mais uma.. mas quando naquele colchão tu me beijou tão intensamente dizendo o quanto desejo sentia por mim, me olhando do jeito que eu sempre imaginei que me olharia nessa situação, e depois dormindo no teu peito, te fazendo de meu colchão, fazendo carinhos um no outro o dia inteiro, trocando beijinhos... Não aguentamos até quarta-feira e tivemos que nos ver de novo de tanta saudade... sendo que foi apenas um fds. Foi aí, que tu me ganhou de verdade, que eu me ofereci de corpo e alma finalmente só pra ti. Tu foi o capitulo mais feliz da minha vida, e eu te quero no resto do livro inteiro.
 Todos os teus amigos já sabiam que a gente se amava, mas ninguém sabe como realmente foi tudo, ninguém sabe toda a nossa história, e as vezes nós mesmos ficamos meio confusos, a unica coisa que eu sei é que tu sempre me fez bem. A unica certeza que eu tenho, é que no fundo no fundo, eu sempre te amei. Não importa de que maneira era.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Estilhaço

Aquela noite foi arrancada da minha alma como pedra estilhaçando o vidro. Escorreram dos meus olhos o céu que chorava as estrelas para mim. Uma noite enterrada no tempo e viva nos meus pensamentos, bailando pelas minhas emoções e beijando a minha alma. Quando você adormece em um campo ameno e acorda em cinzas. Há pesadelos que não tem fim, que continuam se repetindo continuamente dentro de você. Na infância, costumava me gabar por nunca ter pesadelos ou nunca ter precisado de ursinhos apelidados para dormir. Quisera eu ter precisado de tudo isto e não ter de conviver com meus próprios pesadelos, nos quais eu mesma inventei e os desdobrei da realidade. Feliz daquele que tem um ursinho em sua cama que o protege de tudo, feliz daquele que tem braços pra lhe acolher. Feliz daquele que tem medo do que vem de fora... Doí precisar se desfazer da própria carne, se desfazer dos seus pedaços. Em meio a um grande monturo, nem sei mais o que sou eu. É difícil discernir o que eu sou e o que eu fui... é como milhões de estilhaços de espelho refletindo uns aos outros e você precisa encontrar os que refletem você.
 Eu tenho deitado a cabeça no seu peito e esperando que você diga que não há nada de errado, mas no fundo todo mundo sabe contra o que tem que lutar, não há luta que se evite até o final. Assim como não há mal que se vá sozinho. Só tento me salvar destes pedaços, e antes, espero te salvar de mim assim como se salva de você mesmo.

Beijos,  D.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Duas mãos.

Você desapareceu pela noite como de costume. Você voltou a vagar como um refugiado aventureiro por aquele mundinho que era só nosso, e hoje, é apenas uma pincelada negra e borrada em um quadro branco. Pela primeira vez, sentada nessas estradas á espera do que não volta, eu encontrei comigo um coração. Quando duas lágrimas se mesclam numa mesma dor, não á mais o que se esperar. Duas lágrimas que vagaram congeladas por aí por tantos anos, e agora juntas, conseguem se espelhar e secá-las para sempre. É hora  de darmos as mãos e esperar por um amanhecer nessa paisagem esfumaçada e moribunda. Duas máscaras quebradas que foram arrastadas para perto uma da outra pelo vento. Unidas contra um mesmo viajante que aparece e desaparece como sombra viva. Quando tudo se torna tão contorcido e abstrato que parece que seu coração vai explodir. Aonde você estava em todo aquele momento que eu corria assustada e sozinha? E pensar que você me procurou todo este tempo...

Beijos, D.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

O compasso da chuva


Desço aos pulinhos e com os pés saltitantes pruma estrada que me levaria ao meu amor. Com pouco espaço para andar pela calçada e um cheiro de terra molhada. Com os fones de ouvido, meus pés me carregavam quase dançando pelo asfalto daquela rua comprida. Aquela dita chuva molha bobo, das gotas que vão molhando sem que você perceba, ensopavam aos poucos o meu cabelo e ao invés de correr, me permitia molhar-se. Todas as cores pareciam saltar e dançar comigo. O ventinho me envolvia, lágrimas do céu me lavavam e eu me sentia vazia o suficiente para absorver toda a felicidade das árvores, da terra e do orvalho. É como se eu soubesse de cor a melodia daquela estradinha vazia. Haviam flores nas quais eu nunca havia visto, ou simplesmente nunca havia reparado... Pobres belezas que posam lindas ao sol e são ignoradas por nós humanos dos olhos brilhantes. Seus traços eram tão delicados e deslizantes que me dera vontade de escorrer um lápis e pinta-las tais como são.
  Andei incessavelmente quase dançando sozinha pelas ruazinhas naquele domingo de tarde... E que ruazinhas! Seu tom caseiro e aconchegante me dava um leve sabor de canela na boca... Coloridinhas e floridas! Acima daquela lomba que quase me fazia andar para cima, estava ele em sua casa, dormindo no quentinho e no seco, eu me aproximava fria e molhada com uma saudade nos braços. Sorria de leve sem saber porque... Simplesmente por vontade de pular e rodar, eram ruazinhas silenciosas e meigas de um jeito que me deixava mais em casa que em minha própria casa. Me arrastei quase engatinhando e cheguei ao topo, no exato momento que tocava nos meus fones uma musica libertadora e dramática, o que me fazia sentir num filme qualquer enfrentando algum tipo de perigo e vencendo! Isto me fez rir! Me fez rir simplesmente por rir, de mim, da música e da lomba! Como uma criança descobrindo a cidade, descobrindo a arte de rir de si e passar pela vida com humor. Como se jamais tivesse experimentado caminhar por aí.
 Rindo e sorrindo bati na porta e entrei. Ele estava lá, lindo e com uma carinha de sono que eu sempre amei, preocupado colocou uma toalha nos meus cabelos e me secou. Eu apenas ri mentalmente da sua cara de zangado por eu ter subido sozinha e aos pulos ao invés de pedir-lhe que me buscasse de carro. Talvez não entendam, mas me deixem ser louca sozinha! Me abraçou ainda brabo e me secou com um amor quase paterno, quase em entender a minha animação.

Não tenham vergonha de se atirar nos detalhes e dançar por aí!

segunda-feira, 8 de julho de 2013

O concerto



Se estendia nas notas o poder de um silêncio profundo. Em cada zumbir melódico ele se expandia para fora e para dentro de si. O maestro deslizava o som com o corpo e o encenava ordenando a orquestra. A música era varrida por todo o salão como ondas do mar se quebrando em todos os ouvidos e espumando pela mente. Ele, mais do que ninguém, sentia-se carregado por elas derretendo-se entre a junção dos instrumentos. Sua alma era sacudida e desafiada a cada tom que se erguia elevadamente. Sentia vontade de mergulhar cada vez mais por dentre aquela música, de dançar deliberadamente e se expressar de tal forma que pudesse se unir ao mundo.
  Era algo totalmente novo para ele os olhares libertadores e amorosos de todos os músicos, era totalmente novo para ele uma arte tão forte e tão inspiradora. Não era como nas sarjetas, não era como num transporte público qualquer aonde as pessoas parecem ser feitas de um diamante impenetrável, superiores e intocáveis. Ou pelo menos eram assim que se transpareciam. Os músicos deixavam sua alma bailar alheiamente com todos, e sentiam amor por isso. Não sentiam medo de se expressar, não sentiam orgulho em emprestar emoção.
  Ele sequer tinha dinheiro suficiente para pagar o ingresso para aquele espetáculo. Ele sequer tinha roupas apropriadas para a ocasião, mas carregava no coração mais paixão que qualquer outra pessoa. Haviam velhos enrugados com suas senhoras cheias de jóias, tais quais o olhavam feio por suas vestes atrofiadas e cabelo sujo. Haviam também homens maduros que se auto prestigiavam por frequentar um evento chique. E como ele, haviam aquelas pessoas apaixonadas pela música, e delas, surgia no ar uma corrente de energia que ele mal pudia explicar, mal podia ouvir seus próprios pensamentos tamanha a emoção que o transbordava.
  Ele saiu da onde sequer podia ter entrado, mas saiu num estado que nenhuma palavra poderia explicar.

Beijos, D.

sábado, 6 de julho de 2013

Libertação

Permitiu-me respirar sem o vão que atormentava-me, de todos os olhares, foi o teu que me encantou.

Beijos, D.

Um final de tempestade


Você tem sido aquela lágrima perdida dentro de mim. Você tem sido aquele amor tropeçado que se atrofia sorrateiramente em algum canto qualquer nos meus sonhos. Tem sido aquele figurante que passa de vez em quando para um olhar gélido e se vai... Nunca se sabe quando você vai voltar, quando as tuas palavras vão me acalmar ou trazer mais confusão. Independente do tipo de olhar, sempre me trouxe paz. Não é como se você desaparecesse... é como se você se tornasse um fantasma vagando por perto de mim. Como se eu não pudesse te tocar, mas você sim. Pudesse me acariciar enquanto eu durmo, pudesse secar algumas lágrimas sem que eu percebesse. Apenas passa... Como um eclipse que muda sua noite e acaba. O teu toque tem estado nas minhas memórias e a tua voz no meu coração.
 Eu acho que todo mundo tem aquele amor que não acaba... e não começa. Tão surreal quanto uma ilusão. Aquele amor que vive com você esteja com quem estiver. No entardecer é sempre com você que eu sento para contar como foi meu dia. Os meus sorrisos e tristezas sempre acabam com você, seja quem for o causador. Nós talvez nunca possamos nos deitar e nos abraçar finalmente juntos, talvez nós nunca nos toquemos de novo, talvez nós nunca possamos dar as mãos e em paz, descansar. Por que nós nos cruzamos e apenas isso.
 Pra sempre.
 Procuramos um pouco um do outro em cada pessoa que passa por nossas vidas, mas apenas os nossos olhares continuam sendo sinceros.
 Ainda espero pelo dia que aliviada, saberei que poderei ficar... Te ver e ficar. Sem vai e vem, sem se cruzar, ir e ficar.
 Pra sempre.
 Eu te carregarei comigo, por que nós estamos ligados por algo muito mais forte que tudo.... Você tem sido pra mim, um final de tempestade.

Beijos, D.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Um pouco de Lú e Criação

Como já escreveu Shakespeare e muitos outros na história: '' Há mais de seus pais em você do que você supunha.''
Desde pequena, acompanho o jeito de ver o mundo do meu pai. Ele sempre contava das experiências no universo colorido dele. Ele gostava de fazer testes disfarçados de brincadeiras para que eu e meus irmãos soubéssemos  observar o mundo. Sempre nos disse que as ideias mais brilhantes da humanidade vinham de simples observações quase obvias, nas quais ninguém ainda havia percebido.
Certa vez, por volta dos meus 6~7 anos, a minha televisão havia estragado e ao invés de mandar ao concerto, ele me disse que procurasse algo que eu gostasse de fazer. Então eu peguei uma folha e os poucos lápis de cor que eu tinha e comecei a desenhar o que eu via. Quando eu mostrava pra ele, ele me fazia olhar de novo para o que eu havia desenhado, e me perguntava por que eu havia de ter desenhado um retângulo se tinham vários lados? Então me ensinou a desenhar as coisas como realmente são, com perspetiva.
Aos oito anos, ele conseguiu pra mim aulas de arte terapia para que eu desenvolvesse a criatividade e aprendesse coisas novas. Eu ajudava ele as vezes a brincar com as palavras compondo frases objetivas e diferentes nos slogans para os trabalhos dele.
Eu sempre soube que podia contar com a ajuda dele para absolutamente qualquer coisa. Passamos muitas tardes falando sobre como são as pessoas e como é o mundo. Ele gostava de brincar sobre como as vezes são incrivelmente estúpidos os egos humanos, e sempre que eu tinha um problema, ele jogava frases ao vento para que eu as ligasse e pensasse como selecionar a questão. Com dias mãos, dois olhos, dois ouvidos e uma boca, há de se fazer qualquer coisa. É só deixar os egos pra lá e brincar com a inteligência.
Há uma frase pela qual eu sou eternamente apaixonada que diz: ''Você é tão mais doce que o chocolate que basta colocá-lo em tua boca para ver quem se derrete por quem.''
Eu nunca vou esquecer da gente meditando juntos no templo budista, ou fazendo brigadeiro para em seguida ver séries ou mesmo nesta quarta passada que eu me senti mal na escola e ele veio de longe para ver como eu estava e me fazer cafuné até dormir.
Pensador, escritos, desenhista, psicologo, cozinheiro, designer de produto, o lance lá das relações humanas... Não, ele não foi nada disto, mas por mero diploma. Como web designer, ou agora como gestor ambiental e como meu pai, ele é o melhor do mundo naquilo que faz.

Beijos, D.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Está chovendo


Está chovendo dentro de mim. Eu estou ensopada de mim mesma. Está chovendo, está chovendo dentro de mim. Neste chuvisco de noite, tudo congela e eu me perco de mim mesma. Eu não consigo mais ver as estrelas e a neblina está me cegando nesta cidade. A nevoa pesada está preenchendo meus poros de angustia, não há espaço dentro de mim. O meu sangue está se agitando violentamente. Eu estou entupida, entupida, entupida de mim. Eu estou me afogando nos meus pensamentos. Eu estou mergulhando por um mar inteiro de palavras mal ditas e de beijos mal dados. Há um piano distante brincando com os meus movimentos.. brincando com as notas dentre as minhas lágrimas. As palavras não tem sentido pra mim, e mesmo assim elas me quebram sem querer. Eu estou perdendo o meu corpo sem perceber. É difícil de mais partir desta nevoa, é difícil de mais chegar a beira. A minha força é um cristal fosco que se acende de muito em muito tempo. Ainda há tempo, eu preciso deixar a garoa me levar para o mais longe possível, deixar a nevoa me arrastar... depois da chuva sempre resta o chão molhado e o ar úmido, ainda há esperanças para um novo recomeço. É hora de se religar, é hora de se remodelar, de se refazer. Preciso me desfazer desta camada de mentiras. Preciso me purificar... e deixar o pó pra trás....

domingo, 10 de março de 2013

Bailarina de vidro


Desde pequena ela sempre quis explorar todo o mundo. Com '' todo o mundo'' podia ser apenas um lugar, um lugar. Sempre se sentiu como uma bailarina numa caixinha de musica, dançando para todos e olhando pela janela, sonhadora. Sonhando correr pela praia e cair na areia... senti-la em sua pele e deixar o vento escorrer pelo corpo. Uma bailarina que dança e dança tentando se expandir pro mundo, querendo que a musica de sua caixinha seja ouvida. Uma bailarina de vidro. Bem protegida, mas extremamente frágil. Uma bailarina que sonha simplesmente bailar por ai deixando a saia se esvoaçar e a arte do mundo a engolir. Dançar, dançar, dançar! Para todos e principalmente para si.
 Ela sonhava ser um espelho de sentimentos, queria que seus movimentos carregassem o exilir da paixão. Não bastava ser sufocada pela caixinha, seus sentimentos a atordoavam e ela dançava triste. A chuva escorria pela janela e ela dançava sem parar, tristemente, sonhando banhar-se em toda aquela água. A água deveria deslizar pelo seu corpo e a purificar de tudo, deveria se mesclar a ela como todo o resto do mundo.
 Ela queria dançar musicas diferentes, ela queria saltitar musicas felizes e se esvoaçar lastimosamente em musicas de receios.
 Ela queria sentir cada nota do piano ressaltando em seu coração! Ela queria ser a musica! Ela queria ser tudo! Queria dançar incessantemente até que o mundo lhe enchesse a alma e a inflasse.

Beijos, D.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Uma despedida

 Era uma noite qualquer de verão... você me beijou nos lábios e me confortou como sempre fez. Disse que me amaria para sempre e jamais me deixaria sozinha. Eu adormeci nos teus braços com a certeza de que o veria acordar na manhã seguinte... e isso não aconteceu...
 Os dias passavam e eu olhava pela janela embaçada esperando pela seu retorno, esperando que você se lembrasse da doçura das minhas palavras e porventura vontasse aos meus braços. Isso também não aconteceu... Eu me tornei um livro velho e empoeirado numa estante antiga esperando para ser lido.  O tempo me fez escrava de mim mesma. Eu sonhava com aquela pele macia me envolvendo de novo, e aqueles olhos mel me observando. Me perdi em em outros lábios desejando apenas os teus beijos.
 A chuva antes doce e pura tornara-se fria e dolorida. As palavras se atroviaram dentro de mim e me engasgaram de tristeza. Meu gritos internos parecem ecoar dentro de mim a todo instante e não há adorno que me encante ou traga de volta aos meus olhos, o brilho que sempre foi dele.

Beijos, D.